Circuito Deluca

Universalizar a banda larga em 4 anos é um enorme desafio, “presidenta”!

Publicada em 01/01/2015 17:09

broadband2
Universalizar o serviço de Internet banda larga,”mais barato, mais rápido e seguro”, nos próximos 4 anos.  Essa promessa da presidente Dilma Rousseff, ao falar de infraestrutura durante o discurso da posse do segundo mandato presidencial, feito no Congresso Nacional, é um enorme desafio! E talvez em um prazo longo demais para fazer com que o Brasil volte a figurar entre as economias emergentes mais promissoras.

Nosso país deve  terminar  2014 com  mais de 180 milhões de acessos banda larga. Os últimos números oficiais, da Telebrasil, são do fim de outubro: 179,1 milhões. A banda larga móvel (3G e 4G) liderou a expansão dos acessos à internet, chegando em outubro a 155,3 milhões de conexões, com 54% de crescimento em relação a outubro de 2013. Reflexo do recorde de venda de smartphones! Foram 15.1 milhões de celulares inteligentes vendidos no país entre os meses de julho e setembro de 2014, segundo a IDC. O que nos leva a crer que vamos superar em muito a previsão inicial de 70 milhões de smartphones vendidos no ano, considerando a explosão de vendas na Black Friday e no período do Natal.

Nas projeções da consultoria Teleco, o 3G já é hoje a principal tecnologia de celular do país. O Brasil deve terminar o ano com mais de 7 milhões de celulares 4G. Os Smartphones devem representar mais de 80% dos telefones celulares vendidos. A receita de dados das operadoras móveis deve ser superior a 30% do total da receita de serviços no ano.

Ritmo lento
De outubro de 2013 até outubro de 2014, 56,7 milhões de novos acessos foram ativados, segundo a Telebrasil, em um ritmo de ativação de 1,8 nova conexão por segundo. Para universalizar em quatro anos será preciso andar mais rápido e  subir a velocidade da banda larga popular dos atuais 1Mbps para, no mínimo, 2 Mbps,  hoje a velocidade mínima para um boa experiência com vídeo, cujo uso cresce de forma acelerada na Internet. Não vai ser fácil!

2014 foi considerado uma ano apenas regular por 39% dos que responderam a enquete anual realizada pela consultoria Teleco. Resultado semelhante ao apresentado em 2012 e 2013. A queda na avaliação do desempenho do setor está associada à redução na taxa de crescimento dos principais serviços de telecomunicações do Brasil. A queda na taxa de crescimento anual nos últimos três anos foi maior no celular pré-pago, naturalmente. Mas aconteceu também nos demais serviços, incluindo a banda larga fixa. É claro que a manutenção do percentual das taxas de crescimento depende do avanço da banda larga em municípios de baixa rentabilidade e, consequentemente, baixa competitividade.

figura_comentario608a

figura_comentario608b

Brasileiros conectados
Em 2013, pela primeira vez na série histórica de pesquisas do IBGE e do Comitê Gestor da Internet,  a parcela da população usuária de Internet ultrapassou 50%”. Nos últimos dois anos houve grande crescimento de acesso por parte de brasileiros da classe C e D, principalmente através do celular, mas 24,2 milhões de domicílios com renda familiar de até dois salários mínimos ainda estão desprovidos de acesso à Internet.

Apesar do crescimento entre a população, considerando apenas os domicílios com acesso à Internet em 2013, somente 43% estão conectados, correspondendo a 27,2 milhões em números absolutos. A maioria dos domicílios sem acesso à Internet está em regiões com baixo IDH e em áreas rurais. Locais pouco atraentes para as operadoras, que também andam discutindo com o governo se as fibras ópticas que instalam são ou não bens reversíveis para a união. Os cabos de cobre eram, e já que os serviços de comunicação são concessão, as fibras também seriam, na opinião de alguns. Mas esse não é o pensamento das teles.

Os investimentos em fibra óptica pelas teles fixas têm trazido insegurança regulatória, segundo disse meses atrás o então presidente da Anatel, João Rezende em entrevista à Ana Paula Lobo, do Convergência Digital. Em setembro de 2014, o Brasil somou apenas 857.376 mil acessos em fibra, segundo dados da própria Anatel, o que responde a 3,62% dos acessos banda larga.

De acordo com a UIT, a cada 100 habitantes, temos apenas 10,1 assinaturas de banda larga fixa, ficando na 73ª posição mundial. Somos batidos por países como México (11,1), Chile (12,3), ou Rússia (16,6). Com relação ao percentual de domicílios com acesso à rede ficamos 34º lugar com 42,4%. Perdemos para Chile (49,6%), Uruguai (52,7%) e Argentina (53,9%). Mesmo em internet móvel, estamos na 37ª posição, atrás da Tailândia e de Botsuana.

Perdemos também no percentual absoluto de pessoas conectadas à rede. Nessa disputa o país fica em 74º lugar, com 51,6%, perdendo para  Colômbia (51,7%), Venezuela (54,9%), Uruguai (58,1%) e Argentina (59,9%).

A urgência
A universalização é urgente, porque a economia está se digitalizando. As grandes chances de crescimento econômico estão nos serviços em nuvem, no Big Data, nas Cidades Inteligentes, no comércio eletrônico, na publicidade digital. Em 2015, ouviremos falar cada vez mais em Internet das Coisas. Para que ela seja realidade no Brasil, precisamos de infraestruturas de comunicação de dados, fixa e móvel, de qualidade, baratas, rápidas e seguras, como disse a presidente.

O jovem brasileiro conectado acredita no potencial da internet no desenvolvimento de projetos, no estímulo à inovação e no desenvolvimento da carreira profissional, segundo  o estudo Juventude Conectada, realizado pela Fundação Telefônica em parceria com o Ibope Inteligência, o Instituto Paulo Montenegro e a Escola do Futuro – USP com o objetivo entender o comportamento do jovem brasileiro na era digital.

Dos jovens pesquisados, 51% entendem que é possível ganhar dinheiro trabalhando ferramentas da Internet, e 34% pensam em usar a internet para desenvolver um negócio próprio. Iniciada em maio de 2013, a pesquisa entrevistou 1.440 jovens, da classe A à D, de todas as regiões do Brasil, entre 16 e 24 anos. Portanto, jovens que estão ingressando agora no mercado de trabalho.  Como eles, há muitos ainda distantes da Internet, que poderiam ter suas condições de vida mudadas por ela.

Estudos comprovam que aumentar a velocidade da banda larga pode impactar positivamente no Produto Interno Bruto (PIB) de um país, aumentando em 0,3% ao ano.

O interesse
Além disso, a Internet já é um dos principais meios de comunicação do brasileiro. O que muito interessa ao governo.

Os brasileiros já passam mais tempo navegando na internet que na frente da TV, segundo a Pesquisa de Mídia Brasileira 2015, divulgada em meados de dezembro,  pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

De acordo com a pesquisa, os brasileiros passam, em média, 4 horas e 59 minutos por dia usando a internet nos dias de semana e 4 horas e 24 minutos/dia nos fins de semana.

Já a média de tempo assistindo a TV é de 4 horas e 31 minutos/dia nos dias de semana e 4 horas e 14 minutos aos sábados e domingos.

A diferença ainda é pequena, mas mostra uma tendência importante e que deve ser analisada. O tempo [de uso das redes] dá um parâmetro de como o brasileiro está migrando de forma consolidada para os meios de comunicação digitais

O levantamento, que ouviu 18 mil pessoas e traçou um perfil do consumo de informações nas diferentes mídias, apontou que 43% dos brasileiros usam a rede como meio de comunicação.

Entre os usuários da internet no Brasil, 76% acessam a rede todos os dias.

O pico de uso é às 20h, tanto nos dias úteis quanto nos fins de semana.

De acordo com a pesquisa, 67% acessam a rede em busca de informações ou notícias, mesmo percentual dos que dizem entrar na internet para buscar entretenimento (pergunta de múltiplas respostas).

O compromisso
A sorte está lançada.

Como brasileira que usa e trabalha em segmentos da nova economia digital, torço para que a universalização da banda larga chegue antes do prazo estipulado por Dilma.

Em quatro anos a economia digital já terá crescido muito e o Brasil não pode continuar perdendo posições nos rankings internacionais de competitividade.

Como bem lembra o amigo Ronaldo Lemos, há a possibilidade de a banda larga ser transformada em serviço de telecomunicações, que por sua vez é prestado em “regime público”. Isso permitiria ampliar os canais de investimento público nas esferas federal, estadual e municipal para expandir a rede, bem como estabelecer metas para sua universalização. Outra possibilidade seria a aplicação de recursos do Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações) para levar a internet para um número maior de municípios.

Além disso, mesmo reconhecendo a importância da banda larga para o desenvolvimento econômico e bem estar social, muitas prefeituras no Brasil preferem criar barreiras artificiais para o investimento como forma de auferir ganhos oportunistas. A Telcomp, Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas, vive se queixando da criação de taxas abusivas para uso do solo e dos postes por onde poderiam passar novas fibras. Há muito o que avançar no âmbito federal, na atuação do Ministério das Comunicações e da Anatel e no Congresso para que haja uma regulamentação para uso do solo e dos postes, a exemplo do que aconteceu com a Lei das Antenas. As taxas exorbitantes cobradas pelas prefeituras para uso do solo inviabilizam muitos investimentos em redes.

Para baratear o serviço é preciso reduzir a carga tributária incidente sobre ele. Desonerar no âmbito federal, mas também no estadual e municipal. Há projetos tramitando no Congresso a respeito e a discussão poderia ser levada ao Conselho Nacional de Política Fazendária. E trabalhar no sentido de incentivar ainda mais o compartilhamento de redes.

As políticas ainda estão indefinidas, mas o fato é que banda larga é item indispensável para o crescimento econômico de um país.

A citação do compromisso de universalização do acesso no discurso de posse é auspiciosa. Tomara que saia do papel!

  • Fabio Alvez

    Alguém avise ao pessoal responsável por esta matéria/site, que “presidenta” não existe!! O correto é presidente, seja homem ou mulher!!!

  • CDeLuca

    Note que no texto da matéria está sempre presidente, Fabio Alvez. O presidenta, do título, foi proposital, para usar a forma de tratamento que a nossa presidente prefere!

  • Tiago

    Isto que dá faltar as aulas de português e falar besteira na internet depois. Pega um dicionário antes de escrever errado BURRO

  • arthur bof demuner

    Depois de ouvir na posse o calheiros, se não me engano, falar que ela estava assumindo o cargo de presidenta da republica, coloca-se no dicionário logo.

    Quanto ao tema, ainda temos no interior uma conexão máxima de 1 Mb com preço de 15 Mb nas capitais. Mesmo se quiser pagar a mais por mais velocidade, a operadora não fornece!

  • http://luciano.wordpress.com lucianosds

    O maior problema da universialização da Banda Larga, que normalmente ela é facilitada para os grandes operadores, e dificultada ao máximo para os pequenos. Mas na maioria dos municípios brasileiros de pequeno e médio porte, e na periferia das cidades grandes, que opera e leva a banda larga a esses lares são empresários que começaram pequeno, muitas vezes de forma ilegal e com o tempo se formalizaram.

    Para o pequeno empresário tudo é difícil: equipamentos caros para uso na estrutura e no cliente final, compra o megabit por algo entre R$ 110 e R$ 1500 dependendo da região do país, e se operar cabos paga taxas de alugueis mais altas que das operadoras de telefonia, por uma questão de escala. Normalmente um valor R$ 7 e R$ 17.

  • dilson

    O professor PASQUALE CIPRO NETO tira a dúvida.
    Que têm em comum palavras como “pedinte”, “agente”, “fluente”, “gerente”, “caminhante”, “dirigente” etc.? Não é difícil, é? O ponto em comum é a terminação “-nte”, de origem latina. Essa terminação ocorre no particípio presente de verbos portugueses, italianos, espanhóis…
    Termos como “presidente”, “dirigente”, “gerente”, entre inúmeros outros, são iguaizinhos nas três línguas, que, é sempre bom lembrar, nasceram do mesmo ventre. E que noção indica a terminação “-nte”? A de “agente”: gerente é quem gere, presidente é quem preside, dirigente é quem dirige e assim por diante.
    Normalmente essas palavras têm forma fixa, isto é, são iguais para o masculino e para o feminino; o que muda é o artigo (o/a gerente, o/a dirigente, o/a pagante, o/a pedinte). Em alguns (raros) casos, o uso fixa como alternativas as formas exclusivamente femininas, em que o “e” final dá lugar a um “a”. Um desses casos é o de “parenta”, forma exclusivamente feminina e não obrigatória (pode-se dizer “minha parente” ou “minha parenta”, por exemplo). Outro desses casos é justamente o de “presidenta”: pode-se dizer “a presidente” ou “a presidenta”.
    A esta altura alguém talvez já esteja dizendo que, por ser a primeira presidente/a do Brasil, Dilma Rousseff tem o direito de escolher. Sem dúvida nenhuma, ela tem esse e outros direitos. Se ela disser que quer ser chamada de “presidenta”, que seja feita a sua vontade -por que não?

    Como você vê tem gente que se acha muito inteligente mais não passa de um mal informado.

  • dilson

    O professor PASQUALE CIPRO NETO tira a dúvida.
    Que têm em comum palavras como “pedinte”, “agente”, “fluente”, “gerente”, “caminhante”, “dirigente” etc.? Não é difícil, é? O ponto em comum é a terminação “-nte”, de origem latina. Essa terminação ocorre no particípio presente de verbos portugueses, italianos, espanhóis…
    Termos como “presidente”, “dirigente”, “gerente”, entre inúmeros outros, são iguaizinhos nas três línguas, que, é sempre bom lembrar, nasceram do mesmo ventre. E que noção indica a terminação “-nte”? A de “agente”: gerente é quem gere, presidente é quem preside, dirigente é quem dirige e assim por diante.
    Normalmente essas palavras têm forma fixa, isto é, são iguais para o masculino e para o feminino; o que muda é o artigo (o/a gerente, o/a dirigente, o/a pagante, o/a pedinte). Em alguns (raros) casos, o uso fixa como alternativas as formas exclusivamente femininas, em que o “e” final dá lugar a um “a”. Um desses casos é o de “parenta”, forma exclusivamente feminina e não obrigatória (pode-se dizer “minha parente” ou “minha parenta”, por exemplo). Outro desses casos é justamente o de “presidenta”: pode-se dizer “a presidente” ou “a presidenta”.
    A esta altura alguém talvez já esteja dizendo que, por ser a primeira presidente/a do Brasil, Dilma Rousseff tem o direito de escolher. Sem dúvida nenhuma, ela tem esse e outros direitos. Se ela disser que quer ser chamada de “presidenta”, que seja feita a sua vontade -por que não?

  • Carlos Martinez

    Conversa de dilma é papo furado. É como o desconto da conta de luz.

  • Caio Pinto

    Dilson, vá tomar no gú, você e a sua anta presidenta…

  • Sullivan Cândido de Moura

    Esse discurso se enrola desde o governo do Lula, nunca foi apresentado um plano eficiente. Onde estão os recursos do FUST (fundo de universalização das telecomunicações)? Que deveria ter sido destinado ao cumprimento das metas de universalização, criado para oferecer serviços de telecomunicações. O Fust possui diversas fontes de receita, sendo a maior em materialidade a contribuição correspondente a 1% da receita bruta das operadoras de telefonia, de TV por assinatura e outros serviços de telecomunicações, além de 50% das receitas da Anatel, referentes a concessões de serviços públicos, exploração de serviços privados e direito de uso de radiofreqüência, até o limite de R$ 700 milhões por ano, calculo que hoje tenha acumulado o montante de cerca de 100 bilhões. Certamente esse dinheiro tenha ido para cobrir o fluxo de caixa do governo.
    Mais uma coisa! Gostaria que algum técnico de onde quer que seja, me mostrasse á onde tem sinal de 4G no Rio Grande do Sul, para isso precisa de infraestrutura, o que as operadoras não querem fazer. Estão usando sinais desativados de TV dizendo que é 4G. Isso é o Brasil.

  • CDeLuca

    Luciano, você está coberto de razão. Olhar para esses empresários e viabilizar a atuação deles com políticas de interesse do estado e do município seria um bom caminho. A presidente poderia começar pelo Rio de janeiro, onde o atual governador conhece bem o caminho das pedras para fazer isso.

  • http://www.mirandamaster.com/ Marcio Miranda

    Qualquer acéfalo consegue entender o titulo. Diz para os pseudo inteligentes o que significa “aspas” em uma palavra.

  • http://www.mirandamaster.com/ Marcio Miranda
  • http://www.mirandamaster.com/ Marcio Miranda

    Bom, apoiar a quadrilha PT matar nosso idioma seria antológico ao apoio dos vários crimes cometidos por esse bando?
    Mentes subordinadas, alienadas ao ponto de dizer que essa quadrilha miserável tem o direito de adulterar até nossa ortografia.
    A cultura do PT é não ter cultura, assim como a de todos seus subalternos.