Circuito Deluca

e-Commerce brasileiro desacelera crescimento em 2014 e pode continuar freado em 2015

Publicada em 29/12/2014 8:20

O e-commerce brasileiro pode encerar 2014 com um dos menores índices de crescimento dos últimos anos: 22%, nas projeções de Rodrigo Borer, CEO do Buscapé para América Latina. “Posso estar sendo leviano ao antecipar um número, mas não acredito que a taxa de crescimento fique muito longe disso”, afirmou.

O percentual não difere muito do projeto pela consultoria e-Bit, do grupo Buscapé, na 30ª Edição do Webshoppers, referente ao primeiro semestre de 2014. A edição 31ª, com os números do segundo semestre e o consolidado do ano, só deverá ser divulgada nas primeiras semanas de janeiro, mas Borer concordou em fazer um pequeno balanço, com dados prévios, considerando principalmente os resultados de vendas do período entre a Black Friday e o Natal.

De acordo com o executivo, a retração da economia foi uma das grandes responsáveis pela retração do consumo em 2014 também no varejo online. Pelo segundo ano consecutivo, os números não chegam a ser tão ruins quanto o do varejo tradicional, mas ainda assim foram bons indicadores de que o brasileiro pisou no freio.

“O ano começou cheio de incertezas. Já sabíamos que seria um ano único. O primeiro trimestre é um período tradicionalmente fraco de vendas. Com o Carnaval acontecendo mais tarde, foi um pouco pior. A Copa do mundo aqueceu um pouco o início do segundo trimestre, impulsionando as vendas de TVs e produtos correlatos ao evento, como camisas de time e bolas de futebol. E o Dia das Mães deu um fôlego maior ao período”, lembra ele.

De fato, apesar do baixo movimento no e-commerce durante o mês de duração do mundial de futebol, o e-commerce brasileiro registrou faturamento de R$ 16 bilhões no primeiro semestre do ano, segundo a e-Bit, um crescimento nominal de 26% em relação ao mesmo período de 2013.

Depois, segundo Borer, a ressaca pós-Copa, o período eleitoral e a instabilidade econômica, que chegou a fazer o país entrar em recessão técnica, represaram ainda mais o consumo. Estocados, os varejistas apostaram todas as suas fichas na Black Friday e na antecipação das compras de Natal. Deu certo. “As vendas que não ocorreram até o início de Novembro, ocorreram no final do mês e nas três primeiras semanas de dezembro”, afirma Borer. “O brasileiro decidiu usar a Black Friday para tentar comprar mais com o pouco dinheiro disponível”, opina o executivo.

De fato, as compras realizadas pela Internet no período de Natal renderam ao comércio eletrônico R$ 5,9 bilhões. A quantia representa um crescimento nominal de 37% em relação ao mesmo período do ano passado e superou a expectativa inicial, que previa R$ 5,2 bilhões em vendas para a data, segundo a e.Bit. No total, foram feitos 15,2 milhões de encomendas, com um tíquete médio de R$ 388. Um grande incentivador deste aumento de vendas foi a Black Friday, no dia 28 de novembro, que representou 20% de todo este faturamento, com tíquete médio de R$ 522, sendo que os cinco dias de promoção (27/11 a 01/12 – véspera da Black Friday até a Cyber Monday) foram responsáveis por 36% do total, com tíquete médio foi de R$ 451.

e-commerce

Vendas por dispositivos móveis se destacaram
Outro impulsionador de vendas foi o m-commerce. A participação dos dispositivos móveis nas compras virtuais deve fechar 2014 entre 9% e 10%. Praticamente o dobro do índice registrado no fim de 2013. Entre a Black Friday e o Natal de 2013, as compras via dispositivos móveis representaram 4,8% do faturamento total e 4,5% dos pedidos. Este ano, passaram para 8,8% do faturamento (crescimento de 82%) e 8,8% do total de pedidos (crescimento de 96%).

“O interessante é que, este ano, verificamos um maior volume de pesquisas de preço e de vendas feitas através de smartphones, em vez de tablets”, comenta Borer. “Em 2013, 12% das pesquisas de preço realizadas no Buscapé foram originadas em plataforma móveis, com os tablets respondendo por 2/3 do total. Este ano, 32% das consultas foram feitas mobile. E os smartphones respondem por 2/3 delas”, diz o executivo. Não por acaso, o acesso maior é em horários nos quais o consumidor está em trânsito.

Em 2015, um grande desafio para os varejistas virtuais será preparar suas lojas para que essa massa de consumidores que pesquisa através de dispositivos móveis possa também realizar as suas compras através deles.

Segundo Borer, pesquisa realizada recentemente pela e-Bit mostra que a péssima experiência dos usuários ao tentar usar os sites de e-commerce através do smartphones, aliada à sensação de insegurança, são os maiores inibidores das compras através de m-commerce.

“Em relação à segurança, o m-commerce passa hoje por uma situação semelhante à do e-commerce em seus primórdios. Apesar os smartphones serem mais seguros que os desktops para transações financeiras, eles ainda são percebidos pelos consumidores como plataformas inseguras”, afirma Borer. “Isto nos surpreendeu”.

Na prática, varejista que quiser apostar no m-commerce para ser multicanal de fato terá que investir não só na adaptação de seus sites, como também em campanhas de conscientização dos consumidores quanto à segurança das plataformas móveis.

Previsão para 2015
De um modo geral, na opinião de Borer, o ano de 2015 deverá ser de muito trabalho para os varejistas online. As incertezas econômicas persistem e, de quebra, o ano terá muitos feriados no meio da semana. “Quando os feriados caem no meio da semana, a tendência é o pessoal emendar. O dinheiro que iria para o comércio eletrônico geralmente vai para o turismo”, explica Borer.

Se não ocorrer nenhum fato novo, a previsão do executivo é de que o crescimento do e-commerce brasileiro volte a ficar em 20%, não mais que isso.

A conferir!