Circuito Deluca

Meta do Twitter é aumentar receitas com publicidade móvel

Publicada em 06/12/2014 9:57

Quando o Twitter lançou o SDK gratuito Fabric, para desenvolvedores de apps móveis, no fim de outubro, muita gente viu na iniciativa um reconhecimento de que a empresa havia errado na estratégia de desmonte de seu ecossistema móvel, para focar única e exclusivamente em seu próprio APP, incorporando a ele recursos desenvolvidos por terceiros. O Fabric seria a forma encontrada pelo Twitter para voltar a integrar um ecossistema mais amplo de aplicativos móveis.

Sim e não. Na verdade, o Fabric é parte de uma estratégia mais ampla do microblog, que começa a se posicionar mais claramente não como mais uma rede social, mas como uma rede de interesses, aberta e em tempo real. A intenção do Twitter é sim, fazer com que mais e mais desenvolvedores de aplicativos criem apps incorporando recursos do microblog, através de suas APIs. Mas também, e principalmente, disseminar o uso da Ad Exchange Mobile MoPub.

O Fabric coloca à disposição dos desenvolvedores de aplicativos móveis para as plataformas iOS e Android, quatro ferramentas de empresas adquiridas pelo Twitter nos últimos dois anos, a Crashlytcs, a Digits, a TapCommerce e a MoPub, para informar crashes, facilitar os logins do app através de números de telefone, anexar e compartilhar posts do Twitter, e medir a efetividade dos anúncios.

“O Fabric é gratuito, mas o uso do Mopub é obrigatório:, explica o diretor geral do Twitter no Brasil, Guilherme Ribenboim. “Nos remuneramos através dos negócios de publicidade que acontecem nos apps. Ficamos com um percentual da receita. E, em breve, vamos somar a ad network do Twitter com a MoPub. Na hora de definir o serviço, bastará clicar um X na opção ad network, para integrar tudo”, explica o executivo.

Usando sua rede de anúncios o Twitter calcula que pode chegar rapidamente a bem mais de 1 bilhão de dispositivos móveis.

O Brasil é um dos mercados nos quais o Twitter apostará suas fichas, para provar aos anunciantes que suas capacidades de segmentação são poderosas, mesmo em diferentes plataformas e engordar a sua quota de publicidade móvel, ainda bem menor que a de concorrentes como Facebook e Google. Afinal, mais de 70% dos acessos ao microblog no país vêm de smartphones e tablets. No mundo, cerca de 80% dos usuários do Twitter acessam o app por dispositivos móveis.

Responsável por 30 milhões dos cerca de 500 milhões de tweets publicados diariamente, o Brasil é atualmente um dos cinco principais mercados do Twitter em termos de usuários. O Twitter fechará o ano de 2014 com um crescimento de 25,6% no número de usuários no Brasil, o melhor número da empresa por aqui desde 2010. Um dos maiores responsáveis por esse crescimento histórico parecem ter sido os dispositivos móveis. No início do ano, 62% dos usuários acessavam a plataforma por um celular ou tablet, número que subiu para 72% neste mês.

Números que tornam a operação brasileira candidata também a oferecer ao mercado local os serviços da Gnip, startup especializada em análise de dados. A intenção é prover melhores análises de tweets para anunciantes que procuram para obter insights sobre os usuários do microblog.

“Recentemente, uma fabricante de fritadeiras elétricas dos Estados Unidos solicitou uma base segmentada de usuários que reclamam de batatas fritas murchas ou não crocantes servidas pelas cadeias de fast food”, exemplifica Ribenboim, lembrando que o Brasil já tem escala para oferecer serviços semelhantes aos grandes anunciantes.

No último ano, o Twitter se firmou no Brasil como ponte entre a mídia tradicional e a digital, entre o on e o off. A plataforma preferencial de segunda tela, onde o anunciante da TV pode fazer a conversa continuar, aumentar o engajamento do seu público. “No início de 2013, tínhamos 20 dos 200 maiores anunciantes trabalhando na nossa plataforma. Hoje temos 161 dos 200 maiores”, afirma o executivo. “Começamos a medir o engajamento de conteúdo com o Ibope e já encontramos números incríveis. Em maio deste ano, 842 intervenções comerciais na TV usavam uma hashtag para dar continuidade à conversa. Em junho, 1316. Em agosto, 1482″.

Muitos anunciantes brasileiros já estão usando ferramentas de segmentação disponibilizadas pela plataforma, como lokalike, keywords targeting, TV conversation targeting, tailored audiences, mobile app download e promoted video, video cards, web site cards, etc. “O delay entre o lançamento de novas ferramentas nos EUA e a oferta aqui já está bem pequeno”, afirma Ribenboim.

Tudo isso e muito mais estará a serviço das marcas durante os Jogos Olímpicos. “Começamos a trabalhar a Copa com poucos meses de antecedência, e tivemos excelentes resultados. Nas Olimpíadas serão 20 meses de antecedência de trabalho com parceiros estratégicos, e esperamos voltar a bater todos os recordes”, diz o executivo.

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Concorrência
Com 284 milhões de usuários ativos no mundo, número bem menor do que o Facebook, o Twitter afirma não se considerar um rival da rede social de Mark Zuckerberg. Nem teme a concorrência dos apps de mensageria. “Tem espaço para todo mundo”, opina Ribenboim, fazendo questão de posicionar o Twitter como a única rede aberta, em tempo real, conversacional e sem filtro. Características presentes na missão da empresa no Brasil, estampada na parede do novo escritório, em 130 caracteres: “Ser essencial para todo brasileiro, diariamente, ajudando-o a conversar e se conectar imediatamente com as suas paixões e interesses”.

Para Ribenboim, os apps de mensageria são o local ideal para as conversas privadas. AS redes sociais, o local para saber dos amigos. E o Twitter, o local para as conversas entre desconhecidos. “Há um espaço enorme para ser ocupado, em todas as três frentes”, afirma.

Será?