Circuito Deluca

e-Commerce brasileiro em estado de alerta

Publicada em 11/10/2014 15:03

Nos últimos anos temos nos acostumado a ver bons números do e-commerce brasileiro. Faturamento anual batendo recordes em cima de recordes, vendas móveis crescendo… Mas a situação pode não estar tão boa assim.

“O fato é que o percentual de brasileiros que fazem compras online está estável há três anos”, afirma Francisco Saboya, diretor-presidente do Porto Digital, tomando por base os indicadores das das pesquisas TIC Domicílios e Empresas, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br), braço estatístico do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Isso significa que apesar do crescimento da quantidade de brasileiros conectados (este ano, pela primeira vez, mais da metade da população diz ter acesso à rede) o crescimento daqueles que têm o hábito de adquirir produtos e serviços através da internet tem sido residual. “A população usuária de Internet não está avançando em um componente que é extremamente importante”, explica Saboya.

Depois de permanecer entre 15% e 19%, de 2008 a 2010, a proporção de brasileiros que compraram produtos e serviços pela internet cresceu para 30% em 2011. Em 2012 eram 31% e em 2013 (última edição da pesquisa, recém divulgada) foram 33%. De 2011 para cá, a proporção de brasileiros com acesso à internet cresceu de 54% para 58%.

Uma explicação para a desaceleração pode estar na falta de apetite da classe C com o comércio eletrônico. Embora a maioria dos brasileiros da classe média sejam usuários de internet, o acesso é focado em informação, entretenimento e comunicação. Muitos ainda não estão confortáveis com comércio eletrônico, de acordo com um novo relatório da eMarketer, “Brazil’s Digital Middle Class: A Huge Market Embraces the Internet (but Not Without Caution)“.

Totalizando cerca de 108 milhões de consumidores – 54% do total, de acordo com pesquisa recente da Serasa Experian junto com o Data Popular – a classe média do Brasil é um enorme mercado para os varejistas online, ainda inexplorado.

A pesquisa TIC Domicílios, do CETIC.br, revela que internautas da classe C representavam 22% dos compradores digitais em 2013. A grande inclusão se deu justamente entre 2010 e 2011, junto com internautas das classes D e E. De 2011 para cá, a participação da classe C no e-commerce manteve-se entre 20 e 22% e da classe DE entre 9% e 10%.

No geral, eMarketer estima que apenas 20,8% do total de internautas brasileiros vai fazer pelo menos uma compra através de canais digitais em 2014.

Na opinião de Francisco Saboya, mais do que promoções como a Black Friday, um dos caminhos para mudar este cenário é uma rápida adequação dos sites de e-commerce para o acesso móvel. Opinião semelhante à de Pedro Guasti, diretor-executivo da E-Bit. “As micro, pequenas e até médias empresas não têm sites móveis amigáveis para as compras pelo smartphone. Sabemos que essa adequação tem um custo, mas se não forem feitas, as grandes do mercado varejista vão ficar muito à frente”, afirma Guasti.

A 30ª edição da pesquisa WebShoppers, divulgado pela E-Bit no final de julho, mostra claramente que a participação dos dispositivos móveis nas vendas online apresentou crescimento de 84% no período de um ano (de junho/13 a junho/14) e está mais concentrada nas classes A e B (64%).

No primeiro semestre de 2014 foram realizados 2,89 milhões de pedidos via dispositivos móveis, resultando em R$ 1,13 bilhão em faturamento. O perfil do consumidor móvel é representado em 57% por mulheres, na maioria delas com idade entre 35 a 44 anos.

Outro fator capaz de incentivar o m-commerce é a possibilidade de uso de meios de pagamento móvel. Não por acaso, o MercadoPago – plataforma de pagamentos online do MercadoLivre – lançou esta semana seu aplicativo móvel (para smartphones e tablets) de carteira eletrônica de pagamentos. O aplicativo permite que o usuário finalize pagamentos, pelo celular, de qualquer compra feita em sites que aceitem MercadoPago. E oferece também a possibilidade de seus usuários transferirem gratuitamente dinheiro entre si. Independentemente de qualquer compra, amigos e familiares que tenham conta no MercadoPago podem utilizar o aplicativo para solicitar um pagamento ou enviar valores uns aos outros.

O aplicativo está disponível para Android (versão 4.0.3 em diante). Usuários do iOS poderão utilizá-lo a partir de novembro.

Outros dados relevantes
Os dispositivos móveis responderam, no primeiro semestre deste ano, por 7,5% do total de volume de pagamentos realizados com MercadoPago: um crescimento de 70% de janeiro ao fim de junho de 2014.

Dados de uma pesquisa recente do do Google revelam que 54% dos internautas já acessam a internet por celular. E esse número vai chegar a 94% em 2016.

Quer saber mais sobre os hábitos da classe C na Internet? Então não perca essa apresentação de Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular, durante o Think Education 2014, ralizado no dia 19 de Agosto no escritório do Google em São Paulo.

  • Eial Sztejnberg

    exelemte artigo,recomendo