Circuito Deluca

Como lidar com as recentes mudanças no algoritmo do Facebook

Publicada em 25/09/2014 16:17

O Facebook avisou semana atrás que mexeria mais uma vez em seu algoritmo, agora para priorizar a visualização de conteúdo no “tempo certo”, ou seja, no momento em que eles estão no  auge da curva de interesse dos usuários da rede social.

Para isso, o algoritmo passará a levar em consideração dois critérios:  (1) o cruzamento dos eventos que estejam acontecendo no momento com os assuntos de interesse do usuário, reconhecidos pelo algoritmo como tais e (2) e a quantidade de curtidas e compartilhamentos dos posts.

Por exemplo: como sigo um grupo de discussão fechado sobre o Flamengo e fan pages do clube e de torcedores, e muitos desses torcedores amigos sinalizam na hora de jogos do Flamengo que os estão assistindo, mesmo que eu não o faça o algoritmo reconhecerá o meu interesse nesses jogos e passará a mostrar preferencialmente no meu feed de notícias posts de amigos e de fan pages sobre eles.

Na prática, o comportamento do feed de notícias do Facebook passa a se comportar de modo muito semelhante ao da linha do tempo do Twitter.

Mas eu não curto só o Flamengo, certo? E se calhar de um jogo ocorrer simultaneamente a outros eventos nos quais eu tenha interesse? Como o algoritmo aprende os hábitos do usuário, basta que eu tome algumas medidas.

Posso, por exemplo, sinalizar que estou acompanhando esses outros eventos. Como? Clicando na carinha de status localizada na caixa de criação de posts o que estou fazendo naquele momento.

Em alguns casos, marcas/emissoras/pessoas podem já ter criado eventos/marcos que vão servir de referência para o algoritmo. Ao dizer que os estou assistindo, por exemplo, a relevância deles aumentará.

A partir desse momento, meu feed poderá mostrar preferencialmente posts sobre o evento que disse estar assistindo. E, considerando que o jogo do Flamengo ainda esteja em andamento, também posts de grande engajamento sobre ele, que tenham sido curtidos e compartilhados por muitos amigos, como os que costumam acontecer nos momentos de gol.

Da mesma forma, também posso ensinar o algoritmo a deixar de me mostrar determinados conteúdos. Para isso, basta entrar em posts de amigos sobre ele, clicar na seta do campo superior direito e definir que não quer mais vê-lo.  Ao fazer isso algumas vezes, o algoritmo entenderá que o conteúdo daqueles posts deixou de ser relevante para você e deixará de considerá-lo, mesmo que esteja relacionado a um evento que esteja acontecendo naquele momento.

Nos testes feitos pelo Facebook, houve um aumento em 6% no engajamento com as mudanças. Ou seja, mais gente passou a curtir, compartilhar, ou clicar nos posts mostrados no “momento certo”.

De acordo com rede social, as mudanças começarão a ser implantadas aos poucos.

Também segundo o Facebook, a equipe da rede social não espera que o alcance das publicações das páginas seja afetada pelas novidades no algoritmo.

Segunda tela
O Facebook não fala, mas não dá para deixar de considerar que as mudanças casam perfeitamente com os planos de Facebook de se tornar referência como ferramenta para soluções de segunda tela.

Estudo da Ipsos MediaCT mostra que 57% dos brasileiros usam o Facebook enquanto assistem TV e que para 39% dos entrevistados, a segunda tela escolhida é um dispositivo móvel. Se olharmos para o comportamento do telespectador durante o chamado horário nobre – entre 20h e meia noite –, o índice é ainda mais alto: oito em cada dez brasileiros utilizam a rede social enquanto veem televisão.

Gabriel Gontijo, pesquisador de audiências do Facebook, diz que é muito comum as pessoas comentarem na rede social enquanto assistem uma partida de futebol, uma reportagem mostrada no telejornal da noite ou mesmo o que ocorre em sua novela favorita. Para ele, esses exemplos mostram o quanto as pessoas estão conectadas ao Facebook enquanto assistem à TV.

Para as empresas, compreender esse comportamento é importante para orientar a diversificação e melhorar a estratégia de anúncios no Facebook.

  • Nathalie Richter

    Muito bom o artigo! Parabéns!

  • PAULO SERAFIM

    Muito bacana!