Circuito Deluca

Internet vai falhar em metade dos estádios da Copa. Por quê?

Publicada em 01/05/2014 14:28

O primeiro a dar o alerta foi o sindicato das operadoras de telefonia, o SindiTelebrasil. Para falar a verdade, faz tempo que as operadoras móveis reclamam que, pelo andar da carruagem, não teriam tempo para instalar a infraestrutura indoor necessária para atender a alta demanda por comunicação de voz e dados 2G, 3G e 4G nos estádios que receberão os jogos da Copa do Mundo.

Semanas atrás foi a vez de Jérôme Valcke manifestar publicamente preocupação com a falta de testes na infraestrutura de comunicações disponível para os torcedores e para parte da imprensa, antes do início da Copa, no dia 12 de Julho.

Agora, chegou a vez do governo admitir: a rede de dados móvel será deficiente em metade dos 12 estádios da Copa do Mundo, incluindo a Arena Corinthians, em São Paulo, sede da abertura do Mundial.

“Em pelo menos seis estádios a rede Wifi já está instalada. Neles a Internet vai funcionar melhor do que nos outros. Mesmo que as operadoras comecem a instalar as redes agora, dificilmente vai dar tempo de oferecer um serviço de boa qualidade”, afirmou ontem o ministro.

Recordando
Depois das críticas à má qualidade do serviço de banda larga móvel na Copa das Confederações, as operadoras (Claro, Oi, Nextel, Tim e Vivo) fizeram uma parceria para a implantação de um projeto único de implantação de cobertura indoor para suportar o tráfego móvel de voz e dados nos estádios, com investimentos e infraestrutura compartilhada.

A cobertura indoor permite o atendimento dos serviços móveis, seja para ligação telefônica, envio de mensagens ou uso de internet, com mais qualidade e capacidade que no modelo usado no passado para a cobertura dos estádios. Com a cobertura interna, os torcedores dependem menos das antenas externas convencionais, que encontram nas estruturas de concreto dos estádios dificuldades para o alcance dos sinais.

Em janeiro passado, durante entrevista à rádio CBN, o diretor-executivo do SindiTelebrasil, Eduardo Levy, revelou que os responsáveis pelas obras dos estádios em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Natal e Curitiba, não estavam liberando os estádios para a instalação da rede indoor.

O projeto requer que os equipamentos das operadoras fiquem instalados em uma sala de onde parte uma rede de fibras óptica conectada às antenas, de pequena dimensão, distribuídas ao longo do estádio para garantir cobertura nas arquibancadas, camarotes, vestiários, corredores, praças de acesso e estacionamento. Para garantir a qualidade do serviço são necessárias, em média, 300 antes por estádios, segundo o SindiTelebrasil.

Repeteco
No ano passado, na Copa das Confederações, o celular falhou. A explicação?

Segundo o SindiTelebrasil, embora o processo de negociação com os administradores dos estádios tenha sido iniciado em meados de 2012, as operadoras de telefonia só obtiveram a liberação para iniciar as obras dois meses antes do início dos jogos, com vários estádios ainda em fase de construção.

Como a implantação de redes indoors de telefonia celular leva, em média, 120 dias, as operadoras afirmaram que fariam o que fosse possível em 90 dias. Resultado? A configuração básica da infraestrutura ficou parcialmente pronta. E em alguns estádios, como o Maracanã, muitos testes e ajustes ficaram para depois da Copa das Confederações.

E, mesmo com sinal precário, o tráfego nos estádios durante as partidas foi de 1,7 milhão de ligações de telefonia celular e mais de 4,6 milhões de comunicações de dados, incluindo envio de e-mails, fotos e mensagens multimídia, com tamanho médio de 0,5 MB.

Na Copa do Mundo, vários problemas apresentados na Copa das Confederações deverão se repetir, e com mior intensidade, principalmente nos estádios que só agora estão terminando as obras, como no Itaquerão, em São Paulo, e na Arena da Baixada, em Curitiba. Com aproximadamente 40 dias para a partida de abertura, a Copa vai começar com apenas parte do projeto de instalação de equipamentos funcionando.

Status
No início de abril, apenas os estádios de Brasília, Cuiabá, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador já haviam autorizado a instalação da infraestrutura. Nos demais, os administradores e as operadoras demoraram para chegar a um acordo comercial.

No dia 17/4, o SinditeleBrasil anunciou ter acertado com os administradores dos estádios do Itaquerão, em São Paulo, e da Arena da Baixada, em Curitiba, acordos comerciais para a implantação da cobertura indoor. Mas voltou a afirmar que não funcionariam 100%, porque o prazo médio de instalação desse tipo de cobertura é de 120 dias e, até agora, as o trabalho de instalação ainda não começou.

Na mesma data,o SindiTelebrasil garantiu que a cobertura indoor já estava em fase de ajustes finais em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. E que em Cuiabá, Manaus, Natal e Porto Alegre, os acordos comerciais já haviam sido fechados e o processo de instalação, começado, após as administrações de alguns desses estádios terem solucionados problemas nas suas salas onde os equipamentos estão sendo instalados, permitindo às prestadoras acelerarem a implantação da infraestrutura.

WiFi
Paralelo à rede indoor, as operadoras estão instalando também redes WiFi para fornecer acesso internet gratuito dentro dos estádios, e desafogar o tráfego de dados da rede celular 4G e, principalmente, 3G (que suportará o roaming). Dos 12 estádios que sediarão jogos da Copa, os de Brasília, Cuiabá, Manaus, Porto Alegre, do Rio de Janeiro e de Salvador já autorizaram a instalação e os demais ainda não autorizaram. Muitos administradores querem ter suas próprias instalações, para poderem cobrar pelo acesso.

Jogo de empurra
Moral da história: o grave é o jogo de empurra dos diferentes atores sobre as responsabilidades de cada um deles nesse imbróglio, que pode gerar um “caladão” do torcedores, dentro do estádio, justamente no jogo de abertura da Copa.

As operadoras culpam os administrados dos estádios pela má qualidade do serviço que os torcedores experimentarão em muitos deles.

O governo, por sua vez, culpa as operadoras por terem alongado demais as negociações comerciais com os administradores dos estádios e cobra delas uma solução. Elas que arquem com o custo do atraso.

Antes do atraso, a previsão das operadoras era a de investir R$ 200 milhões nos 12 estádios para a colocação da cobertura indoor, que não faz parte dos requisitos da Fifa (Federação Internacional de Futebol) para os estádios, nem das obrigações previstas nos editais da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

O deixa que eu deixo pode levar os torcedores a perderem de goleada.

O que podia se tornar a vitrine da eficiência para administradores, operadoras e, por tabela, governo, periga virar a vitrine da incompetência coletiva para negociar.

Do lado de fora, tudo bem
Do lado de fora dos estádios, as operadoras planejam instalar ERBs provisórias, como já acontece hoje em áreas de concentração. Por conta disso, não deverá haver problemas.

As operadoras também já cumpriram, com folga, a obrigação de instalação das redes 4G nas 12 cidades sedes.

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    ESTRUTURA, SERIEDADE, CORRUPÇÃO, VERGONHA NA CARA !

  • Márcio Santana

    Pra ter 1 megabit de internet eu sacrifico 1/7 por salário minimo enquanto nas nações concorrentes 1 megabit só sacrifica 1/49 do salário deles. Quer dizer com quem o Brasil concorre não tá nem próximo disso em alguns setores. Estamos crescendo com freio de mão puxado por causa do amadorismo administrativo e o profissionalismo dos corruptos.