Circuito Deluca

Rio se prepara para ganhar 50 empreendimentos digitais

Publicada em 21/04/2014 11:17

O Rio de Janeiro conta os dias para o início das operações de um dos maiores programas de empreendedorismo digital do país. Em Maio, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) deve finalizar a reforma do ex-prédio da Une, no Catete (a antiga Faculdade de Direito da UERJ), que abrigará as empresas responsáveis por projetos inovadores selecionados no edital do programa Start-up Rio 2013, e começar a liberar os recursos previstos, de acordo com Tande Vieira, atual secretário estadual de Ciência e Tecnologia.

“As empresas que já estiverem com a documentação pronta e conta aberta em banco, começarão a receber a primeira parcela, de metade dos R$ 100 mil previstos. Esperamos liberar esses recursos para todas as empresas entre maio e junho”, conta Vieira.

O Start-up Rio vai destinar um total de R$ 5 milhões para o incentivo desses 50 projetos, coordenados por até três pessoas, que receberão assistência para se transformar, dentro de um ano, em startups – empresas nascentes de base tecnológica. O objetivo é expandir a cultura de inovação tecnológica, criatividade e empreendedorismo no Rio de Janeiro, busca transformar o estado em uma vitrine de exportação dessas futuras empresas.

“Seis meses após o primeiro aporte e a instalação das empresas no espaço de coworking e mentoria criado para recebê-las, elas passarão por uma avaliação para saber se o desenvolvimento está seguindo o rumo pretendido. Essa avaliação determinará a liberação da segunda parcela do financiamento, os outros 50%”, explica o secretário.

Os recursos do programa custearão despesas de capital, como a aquisição de materiais permanentes e de equipamentos; e despesas de custeio, em que se enquadram serviços de terceiros, em caráter eventual para manutenção de equipamentos e de material permanente; diárias e passagens, no território nacional (desde que compreendam despesas necessárias específicas e imprescindíveis para o desenvolvimento do projeto); material de consumo, componentes e/ou peças de reposição de equipamentos; e despesas de importação.

Ao fim de um ano, a intenção dos organizadores do programa Start-up Rio é a organização de um Demo Day para que essas empresas possam passar por uma primeira rodada de negócios, e ter a chance de apresentar seu produtos para fundos de investimento.

Os projetos
Cada um dos 50 projetos inovadores contemplados no resultado final do edital do programa Start-up Rio, anunciados no início de abril, procura soluções inovadoras e criativas no universo digital para aplicação nas mais diversas áreas.

Dentre os empreendimentos há desde iniciativas de Social Commerce e plataformas Web para cursos online até projetos de neurociência aplicada no ciberespaço para aprimoramento das funções cerebrais. Há desde o emprego de tecnologia digital para venda de produtos e experiências gastronômicas, de acordo com os princípios de produção local e sustentável até uma forma de hospedagem alternativa para pets. A maioria dos projetos é de desenvolvimento de aplicativos para plataforma móveis.

Continuidade
A intenção do governo do Rio é ter cinco edições do Start-up Rio, uma por ano. Tudo está sendo pensado para criar um ambiente propício no estado para o desenvolvimento de empreendimentos de tecnologia digital, desde questões tributárias até o fomento de formação de mão-de-obra qualificada, capaz não só de trabalhar nos empreendimentos criados, como iniciar novos empreendimentos.

“Já este ano, 2 mil alunos de três escolas da Faetec, em Volta Redonda, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, passarão a ter aulas de programação”, comenta Tande Vieira.

“Temos grandes centros de pesquisa e educacionais e estamos trazendo uma série de novas empresas, que estão instalando seus laboratórios aqui. Ou seja, temos o ambiente perfeito para resgatar o protagonismo do Rio de Janeiro nesta área”, diz o secretário.

Apoio privado
Além da Faperj, o programa Start-up Rio conta com com a participação da regional Rio de Janeiro da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet, a Assespro-RJ e de gigantes da área da computação de da internet com atuação no Brasil, como a Cisco. A Google é uma das empresas que assume estar em conversas avançadas para contribuir com o programa.

A ideia dos organizadores é que grandes empresas nacionais e multinacionais possam contribuir com mentoria e recursos tecnológicos para o desenvolvimento dos projetos selecionados. O espaço de coworking criado no ex-prédio da Une contará com conexão wireless, auditório multimídia, salas de reunião, lounges e laboratórios em condições de fomentar a criatividade e a troca de experiências entre os pesquisadores e deles com os mentores.

“Estamos diante de um programa inteligente e visionário porque integrará oportunidades, recursos e ações que nos destacam no cenário mundial”, afirma Márcio Lacs, presidente da Assespro-RJ.

Do universo acadêmico os participantes do projeto receberão um programa de educação em empreendedorismo de tecnologia digital, desenvolvido por experts que já atuaram em diversas iniciativas de educação para inovação, tais como Kip Stringfellow, ex-diretor de programas internacionais da Singularity University. O Programa ainda será complementado por mentores, que serão indicados por parceiros como Endeavor, Instituto Genesis e algumas das melhores aceleradoras do país.