Circuito Deluca

Brasileiras se destacam na economia do conhecimento

Publicada em 08/03/2014 9:27

O banco de talentos das mulheres trabalhadoras no campo da tecnologia da informação está em crescimento. E o Brasil tem contribuído de forma expressiva para isso. Basta olhar para as 202 empresas que participaram da pesquisa de Melhores Empresas para Trabalhar em TI & Telecom em 2013, realizada pelo GPTW em parceria com a COMPUTERWORLD. Do total de 165 mil funcionários dessas empresas mais da metade (60%) são mulheres. Índice que cresce desde o primeiro ano de realização do estudo. De 1997 – ano da primeira lista – até 2012, o número de mulheres entre o total de colaboradores passou de 25% para 40%.

Quais eram em 2013 as que mais empregavam mão de obra feminina?


Infelizmente, as mulheres ainda ficam atrás dos homens em habilidades mais complexas (não por acaso, na relação das empresas que mais empregam mulheres estão grandes contact centers) e também nos cargos de chefia. Entre os gestores das empresas participantes da pesquisa das Melhores Empresas para Trabalhar em TI & Telecom, 33% eram mulheres em 2012. Índice subiu para 43% em 2013. Uma melhora significativa, mas ainda indicadora de desigualdade.

Essa realidade é confirmada também por outros estudos, como o recente “Athena 2.0 Factor: Accelerating Female Talent in Science, Engineering & Technology“,  publicado pelo Center for Talent Innovation.

Das mulheres das áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação trabalhando hoje nas 80 empresas globais associadas ao Center for Talent Innovation,  22% no Brasil, 31% nos EUA, 51% na China e 57% na Índia relatam que jamais conseguiriam assumir uma posição de liderança nas suas organizações, não importa o quão capazes sejam ou quão alto seja o seu desempenho. Por isso, são mais propensas que os homens a abandonarem a área e se dedicarem a outras atividades. Muitas delas são a única mulher na equipe em que estão alocadas, e várias sofrem com o preconceito entre seus pares.

Confira outros resultados do estudo no gráfico abaixo.

O estudo da Center for Talent Innovation recomenda que as organizações  associadas ofereçam melhores condições  para que suas funcionárias sejam percebidas como líderes e tenham  suas ideias ouvidas. Na opinião dos elaboradores da pesquisa,  quanto mais conhecimento as mulheres adquirirem, maior será a chance de elas se converterem em uma força estimuladora da inovação e de desenvolvimento econômico, transformando seu próprio mundo e criando um futuro melhor para as pessoas a sua volta.

É importante apontar os possíveis caminhos para essas mulheres desde o ensino médio até o ensino superior. Mostrar as carreiras em ciências e tecnologia que estão ao seu alcance. E quando empregadas nas áreas de Ciência, Tecnologia e Comunicação, dar a elas a orientação e o apoio necessário para que possam avançar nessas carreiras.

Nos EUA, mais mulheres do que homens estão se matriculando e se formando em cursos de nível superior, mas apenas 25% das vagas de TI nos Estados Unidos são assumidas por mulheres, e 56% dessas mulheres acabam deixando a área de tecnologia para seguirem outras carreiras.

 


No Brasil houve  um aumento de aproximadamente 165% no número de alunas que concluíram cursos de Computação entre 2009 e 2011. Segundo Estatísticas da Educação Superior 2012 elaboradas pela Sociedade Brasileira de Computação (SBC), a análise da evolução das matrículas por gênero mostra que, percentualmente, a quantidade de mulheres atuantes na área da Computação atingiu o seu ápice em 2009 para depois cair em 2011 voltando a crescer em 2012 (confira nos gráficos abaixo). De acordo com SBC, hoje as mulheres representam 14% dos estudantes nas faculdades de Tecnologia.  Já o número de mulheres que ocupam a posição de CIO ou vice-presidente de TI saltou de 12% em 2007 para 16,4% no último ano, de acordo com a consultoria Sheila Greco Associates.


A boa notícia é que todos os índices brasileiros são positivos, por estarem em crescimento. A má, é que ainda há muito por fazer para continuar encorajando mais mulheres a abraçarem carreiras na área de TI e Telecomunicações. Começando por mudanças na educação básica, principalmente para não aprofundar gaps históricos. Por questões culturais, os meninos começam mais cedo a serem incentivados a se interessar por tecnologia. Além disso, elas precisam de exemplos para seguir e se espelhar.

Bons exemplos
O Google,  Melhor Empresa para Trabalhar em em TI & Telecom no Brasil nos últimos quatro anos, tem um programa para incentivar mulheres a abraçarem carreiras na área de ciência da Computação.

 


A intenção da gigante da informática é mudar suas próprias estatísticas, ainda muito favoráveis aos rapazes.


Muitos desses temas estarão em debate no 2º Encontro Nacional de Mulheres na Tecnologia, que acontecerá nos dias 28 e 29 de março, na Faculdade de Tecnologia Senac de Goiás. A conferência é idealizada e organizada pelo /MNT, grupo sem fins lucrativos que luta há 5 anos por medidas para promover a igualdade de gênero no setor de tecnologia.

Entre as palestrantes convidadas estão Deb Xavier, do Jogo de Damas, que fará o keynote abordando o tema “Empreendedorismo na Tecnologia”, Loiane Groner (gerente de desenvolvimento e autora dos livros Ext JS 4 First Look, Mastering Ext JS e Sencha Architect App Development), Claudia Melo (diretora de Tecnologia da ThoughtWorks Brasil, destaque da edição 2013 da pesquisa de Melhores Empresas para Trabalhar em TI & Telecom do por promover a Diversidade em seus funcionários), Bárbara Castro (Doutora em Ciências Sociais e especialista em trabalho e gênero) e Fabiany Lima (CEO da Timobox e colunista especializada em startups do site Empreendedorismo Rosa), entre outras.