Circuito Deluca

Anote: 2014 será ano do pagamento móvel sem contato

Publicada em 24/02/2014 12:01

Não, o NFC não morreu. E terá um grande papel a desempenhar na massificação dos pagamentos móveis, especialmente aqui no Brasil. Palavra da Mastercard e da Visa.

Por que muita gente acha que o  uso da tecnologia NFC em pagamentos móveis morreu?

“Por um lado, é um mercado complexo, com muitas partes interessadas: fabricantes de hardware, operadoras de serviços de telecomunicações, desenvolvedores de aplicativos, instituições financeiras e até mesmo os emissores de cartões, – para não mencionar os usuários finais, comerciantes e consumidores”, explica Marc Castrechini, vice-presidente da Merchant Warehouse, em artigo recente. Segundo ele, uma das grandes barreiras sempre foi o poder das operadoras, que ainda hoje controlam a oferta de SIM cards. “Elas queriam cobrar dos bancos e das operadoras de cartões de crédito o uso de SIM cards com NFC”, diz Castrechini.

O jogo começou a mudar quando o Google anunciou que o Android 4.4 suporta a tecnologia HCE (Host Card Emulator). Isto significa que soluções de pagamento móvel como a Google Wallet, a MasterPass e a Visa payWave podem agora permitir pagamentos baseados em NFC sem a permissão de grandes fabricantes ou operadoras. Com HCE, elas podem usar a sua própria plataforma para fornecer aos clientes acesso direto aos benefícios da NFC. Isso deve facilitar o processo dos bancos na ativação de contas móveis, além de trazer mais liberdade ao usuário final na hora de trocar seu aparelho celular.

Os dados do cartão são hospedados na nuvem (confira a diferença no infográfico abaixo, criado pela Visa).

No Brasil
“Estamos vivendo uma segunda onda de lançamento do NFC no mercado brasileiro”,  afirma Marcelo Tangioni, vice-presidente de produtos da MarterCard Brasil e Cone Sul. “Fizemos uma primeira tentativa de entrada do NFC no mercado, há dois anos atrás, mas ele ainda não estava pronto, suficientemente organizado, para que a solução crescesse. Fizemos alguns pilotos, mas a indústria achou que não era o momento.”

O que mudou muito  no mercado local nos últimos dois anos, segundo Tangioni, a ponto de fazer com que as bandeiras de cartão de crédito agora acreditem que há uma oportunidade muito grande de fazer esta modalidade de pagamento decolar? Segundo ele, o acesso à tecnologia. “O Brasil é o maior, ou o segundo maior parque de terminais habilitados a realizarem transações NFC no mundo”, diz o executivo. O país já tem hoje mais de 1 milhão de terminais eletrônicos de pagamento habilitados para receber pagamentos sem contato.

Já na ponta dos emissores, as novas tecnologias, como a HCE, foram outra grande barreira a cair, considerando todo o ecossistema. Em 2013, segundo Tangioni, a Mastercad investiu muito em fazer a certificação técnica dos emissores. Estão todos praticamente prontos, do ponto de vista técnico, para qualquer tipo de tecnologia NFC, seja no no SIM Card, seja nos chips presentes nos dispositivos móveis e cartões de plástico, seja na memória dos dispositivos móveis. Em encontro com a imprensa na última semana, a Mastercard demonstrou um relógio inteligente com suporte à MasterPass.

Uma outra barreira que começa a ser superada é a padronização das regras para o pagamento sem contato no mercado brasileiro. Operadoras de cartão e bancos definiram alguns parâmetros. Entre eles, o de que pagamentos abaixo de R$ 50 não vão necessitar de senha. Aproximou, pagou. Cartões de crédito Mastercard emitidos pela Caixa e pelo Santander Brasil, já com NFC, habilitados para estas transações, começam a chegar nas mãos dos usuários.

“O que a gente precisa agora é que algum grande banco decida fazer uma compra grande de cartões, para popularizar o pagamento sem contato”, explica Tangioni.

No MWC 2914
Tanto a MasterCard quando a Visa demonstram as suas soluções MasterPass e payWave, respectivamente, esta semana, durante o Mobile World Congress, em Barcelona. As duas já disponíveis para instituições financeiras e outros clientes das operadoras no Brasil e no mundo. O lançamento comercial da MasterPass no mercado brasileiro será no segundo trimestre deste ano, com foco no e-commerce. Mas até o fim do ano, pelo menos um grande varejista físico estará oferecendo a opção de pagamento sem contato através da carteira eletrônica MasterPass.

Também ainda este ano, em mercados mais maduros, a Mastercard tem a intenção de disponibilizar tecnologia para a integração do serviço MasterPass em aplicações móveis. A operadora procura suportar e levar as compras por impulso ao mundo das apps, adicionando a capacidade de fazer aquisições dentro delas com pagamento através da sua carteira eletrônica. A Forbes Digital Commerce, a Fat Zebra, a MLB Advanced Media, a NoQ, a Starbucks Austrália e a Shaw Theatres Singapore estão entre os primeiros fornecedores de aplicações móveis que vão utilizar a tecnologia.

A Mastercard anunciou também que vai publicar a especificação que alavanca a tecnologia de emulação de cartão (HCE) para assegurar transações de pagamento com a tecnologia NFC.

Como uma parte crítica do processo de desenvolvimento da especificação, a MasterCard trabalhou com os bancos Capital One, no piloto inicial, e com o Banco Sabadell, no piloto europeu. Esses projetos nortearam a companhia, e seu aprendizado será o caminho para desenvolvimentos planejados em 2014 com outras instituições financeiras ao redor do mundo.

“Para o Capital One, o piloto permitiu explorar novas formas de adotar comercialmente ofertas baseadas na tecnologia NFC e credenciar estabelecimentos de forma confiável. Temos uma sólida parceria com a MasterCard, e continuamos a trabalhar juntos para entregar soluções para nossos clientes”, explicou Jack Forestell, vice-presidente executivo, da área Digital do Capital One.

“Estamos extremamente satisfeitos com o conforto e rapidez com que os usuários que participaram dos pilotos foram capazes de unir seus cartões de pagamento aos telefones habilitados com NFC”, disse Albert Figueras, gerente financeiro de Cartões de Crédito e Clientes do Banco Sabadell. “Como um dos bancos mais inovadores da Europa na atualidade, é importante que continuemos a buscar como atender as necessidades de nossos consumidores inseridos na sociedade digital que evolui rapidamente”.

  • Macaubas

    Erramos feio…. Erramos rude…